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Habere rem: Concubinato e referências à vida sexual nas visitas pastorais catalãs do século XIV

Habere rem: Concubinato e referências à vida sexual nas visitas pastorais catalãs do século XIV

Habere rem: Concubinato e referências à vida sexual nas visitas pastorais catalãs do século XIV

Por Josep M. Palau i Baduell

Trabalho entregue no Conferência de Sexualidades Medieval, realizado na University College London em 2016

Resumo: O artigo que apresentarei é uma pequena seleção dos resultados de minha tese de doutorado, na qual estudei uma visita pastoral do século XIV à diocese de Urgell, no noroeste da Catalunha. As visitas pastorais, como você bem sabe, são uma das obrigações dos bispos da diocese e consistem em observar o estado físico e moral da paróquia in situ, ao mesmo tempo em que garantem as estipulações da Igreja. Por esta razão, entre outras, procurou-se erradicar tudo o que se desviou das regras canônicas, bem como doutrinar e reformar os hábitos do clero e dos leigos, além de punir aqueles que se desviaram das regras eclesiásticas.

Introdução: Embora a sua origem remonte ao período inicial da organização administrativa da Igreja, a mais antiga evidência documental de uma visitação pastoral na Catalunha data de 1295, a partir de quando começamos a encontrar visitas notadas nas dioceses catalãs. Vamos agora ver como uma visita pastoral foi conduzida. Em geral, o bispo comunicou a sua intenção de visitar as paróquias por carta antes de iniciar o processo de visitação para que, no dia em questão, os paroquianos e o clero o recebessem devidamente e pudessem dar testemunho durante o interrogatório.

Quando o bispo chegou, foi recebido pelo reitor e várias cerimônias litúrgicas foram realizadas antes de passar para o verdadeiro motivo da visitação: a inspeção das propriedades e móveis da igreja, o visitatio rerum, e depois para a investigação da vida e dos costumes das pessoas, o visitatio hominum. Este último foi dividido em dois grupos altamente diferenciados, um em leigos e outro em clero, conhecidos respectivamente como capitula contra laicos e capitula contra clericos. Ouvidas as testemunhas, se existiam certas práticas de emenda eram corrigidas pelo visitante e os pecadores eram devidamente punidos com tributos morais ou pecuniários. Além disso, os visitantes tinham o direito de receber uma pequena quantia em dinheiro do sacerdote da igreja visitada, que era um pagamento em dinheiro ou em espécie, chamado de procuratio.

Terminada a visita, o bispo mudou-se para a próxima paróquia. Com o objetivo de realizar a visitação de forma correta, os bispos utilizaram os chamados ‘questionários’; indicações de como executar as visitas, coisas a levar em consideração, perguntas a fazer, coisas a serem alteradas, e assim por diante. Isso pode ser usado para colher a política pastoral dos bispos, já que a importância relativa de cada ponto pode ser trabalhada.


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