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Manuscritos Medievais: O Atlas Universal de Fernão Vaz Dourado

Manuscritos Medievais: O Atlas Universal de Fernão Vaz Dourado


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O Atlas Universal de Fernão Vaz Dourado

Preservado no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa (1571, Goa)

Comentário de João Carlos Garcia

Este Atlas foi feito em 1571 por um dos melhores cartógrafos portugueses, Fernão Vaz Dourado (c. 1520-c. 1580). Vaz Dourado é autor de pelo menos quatro atlas náuticos diferentes, cada um deles com 20 mapas, pintados entre 1568 e 1580, ou seja, no auge da cartografia portuguesa.

O Atlas Universal de Fernão Vaz Dourado, feito em Goa (pequeno protetorado português localizado na costa oeste da Índia) é o mais famoso deles. Este exemplo sublime de cartografia suntuosa parece dever mais à arte da iluminação do que à cartografia.

Fernão Vaz Dourardo era filho de um alto funcionário e de uma nativa. Viveu o terceiro período da época áurea da cartografia portuguesa; portanto, sua visão do mundo já carece da influência ptolomaica típica de períodos anteriores.

Imagens de Vaz Dourado foram logo encontradas na cartografia impressa do norte da Europa como, por exemplo, a da obra de Linschoten ou a que circulou nas edições da obra de Ortelius. Essas imagens foram usadas por todos como base para novas versões.

Na descrição mais antiga da carta, Varnhagen afirmava: “A carta do quinto fólio fornece esclarecimentos importantes e os devidos fundamentos para se chegar a conclusões sobre a descoberta e presença portuguesa ao longo das costas da América do Norte”. A historiografia portuguesa recorreu às imagens de Vaz Dourado para repetir as palavras do citado pesquisador brasileiro. No final do século XIX, Ernesto do Canto analisou a lista de topônimos ao longo da costa mostrada nos gráficos para mais uma vez confirmar que os portugueses foram os primeiros a explorar a América do Norte.

Este gráfico representa os territórios modernos do Leste do Canadá e Nordeste dos EUA, com uma maior concentração de informações ao redor de Newfoundland e do vasto vale do rio St. Lawrence, principal meio de penetração no interior do continente. A Terra Nova era há muito conhecida dos portugueses devido à sua importância como pesqueiro de bacalhau e daí a referência no título da carta à “costa do bacalhau”.

Embora o meridiano de Tordesilhas não seja representado, a carta parte do princípio de que teria dissecado o espaço aí retratado: os domínios espanhóis a oeste e os domínios portugueses a leste. Daí a presença de um escudo com o brasão de Castela / Aragão, localizado aproximadamente no moderno estado do Maine (EUA) e outro escudo com o brasão de Portugal situado a norte do Rio São Lourenço, no “Terra do Labrador”. Por fim, ao sul do São Lourenço, a legenda “Terra dos Corte-Reais” lembra a chegada dos irmãos Corte-Real em 1501. Bandeiras com a cruz da Ordem Militar de Cristo podem ser vistas nas ilhas Madalena, no Rio de Janeiro. centro do Golfo de São Lourenço e na ponta sudeste do Labrador. Ao leste, as palavras “Oceano Mar” ocupam uma grande parte do mapa.

Max Justo Guedes fez o seguinte comentário a respeito da importância deste gráfico no contexto da obra de Vaz Dourado: “Os pontos mais interessantes deste vasto trabalho (…) estão relacionados com a América do Norte. No Nordeste, Dourado seguiu o protótipo franco-português derivado das descobertas de Jacques Cartier, apresentadas pela primeira vez pelo anônimo autor do chamado Vallard Atlas, mas que utilizou o desenho de Diogo Ribeiro - e modificações posteriores - para o Contornos atlânticos. ”

Mapa 11: Índias Ocidentais, Américas Central e do Sul, até o Rio Amazonas

A oeste do meridiano de Tordesilhas estendem-se territórios exclusivamente espanhóis na faixa central do Novo Mundo. Tendo como base o Equador, a imagem abrange todas as áreas do sul da América do Norte, com destaque para a “Flórida”, o Golfo do México e a grande região hoje conhecida como América Central, “Nova Espanha”, Antilhas e o oceano (“Mare oceanum”), junto com as áreas do norte da América do Sul, onde o nome “Peru” está localizado próximo ao Panamá. A imagem repete espaços bem conhecidos e controlados pelos cartógrafos espanhóis a partir do final do século XV.

Este foi um trecho do volume de comentários do Atlas Universal de Fernão Vaz Dourado por João Carlos Garcia (Faculdade de Letras, Universidade do Porto)

Para saber mais sobre oAtlas Universal de Fernão Vaz Dourado e veja as imagens do manuscrito, visite Moleiro.com


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