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Definindo limites: reflexões medievais sobre a tolerância religiosa e suas raízes judaicas

Definindo limites: reflexões medievais sobre a tolerância religiosa e suas raízes judaicas

Definindo limites: reflexões medievais sobre a tolerância religiosa e suas raízes judaicas

Por Glenn W. Olsen

Estudos Políticos Hebraicos, Vol.2: 2 (2007)

Resumo: A história da tolerância não tem começo. Tolerância e intolerância, os instintos de acolher e excluir, foram praticados por cada indivíduo e cada povo. Desde os seus primórdios, o Judaísmo se considerou a religião de um povo eleito que traçava linhas de separação entre si e os outros (especialmente em matéria de pureza) ao mesmo tempo que acolhia o estrangeiro. O Cristianismo e o Islã agiram de forma semelhante. Este artigo explora maneiras particulares nas quais a abordagem do Judaísmo para o problema de tolerar aqueles com quem não poderia viver uma vida compartilhada confortavelmente influenciou as crenças de sua filha, especialmente o Cristianismo.

No início da Idade Média, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islã afirmaram alguma forma da proposição de que não há compulsão na religião e que as pessoas têm o direito tanto à prática pública de sua religião quanto à formação de uma comunidade compartilhada que incorpore isto. De fato, muitos pensadores religiosos e legistas teriam concordado com a reformulação de Agostinho de Cícero na Cidade de Deus (XIX, 24), onde ele definiu um povo como “uma multidão de seres racionais unidos por um acordo comum quanto aos objetivos de seus amor." Em outras palavras, a religião deveria ser vista não apenas como uma questão de prática privada, mas sim como algo que deveria criar uma vida pública compartilhada. Poucas sociedades, entretanto, eram tão homogêneas que “um acordo comum quanto aos objetos de seu amor” pudesse ser assumido. Assim, a questão da relação entre o axioma de que a fé religiosa não pode ser coagida e o axioma de que a religião, por sua própria natureza, tende a formar uma comunidade compartilhada estava inevitavelmente centrada no lugar do estrangeiro (religioso) na sociedade.

No início da Europa medieval, o imperativo de fidelidade religiosa atuava tanto cultural quanto politicamente, contra outras considerações, que eram geralmente de natureza prudencial. Este ensaio procura relacionar-se seriamente com judeus, cristãos ou muçulmanos que desejavam afirmar a natureza exclusiva de suas religiões (conforme expresso, inter alia, por meio do casamento endógamo ou comendo apenas com correligionários). Ele considera a crença comum de que a religião não pode ser obrigada e o enigma resultante de como a vida do indivíduo se relaciona com os valores de cada sociedade. No entanto, como estamos mais preocupados aqui com a relação entre o Judaísmo e o Cristianismo, uma definição de termos e uma palavra prévia de cautela são necessárias.


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