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Yonec de Marie de France: Sexo, Sangue e Transformação em um Verso do Século XII

Yonec de Marie de France: Sexo, Sangue e Transformação em um Verso do Século XII

Marie de France Yonec: Sexo, Sangue e Mudança de Forma em um Versículo do Século XII

Por Hannah Priest

Trabalho entregue no 1ª Conferência Global: Magia e o Sobrenatural (2010)

Resumo: O poema anglo-normando do século XII Yonec conta a história de uma jovem presa por um marido mais velho e ciumento. Com medo de sua vida, a mulher deseja a intervenção de um ser sobrenatural que a ame e acabe com seu sofrimento. Embora Marie de France não use a palavra "fada", Muldumarec, o homem que entra no quarto da mulher, é claramente tal criatura. Sua capacidade de se transformar com fluidez entre os corpos do falcão e do homem sugere que sua identidade não é limitada por nenhuma realidade corporal particular. No entanto, é em sua transformação no corpo de sua amante que seu potencial para quebrar limites é mais plenamente realizado. A fada não apenas se apropria da forma física da mulher - sendo 'senhora' e 'cavaleiro' simultaneamente - ele o faz a fim de tomar a comunhão. O corpo da mulher, a identidade da fada e o corpus domini se fundem no que Jeffrey Jerome Cohen chamou de "momento transexual". Além disso, a ênfase no sangue - tanto no episódio da Eucaristia quanto no subsequente assassinato do amante das fadas - sugere noções de transfusão e transferência. O sangue é mais do que um fenômeno físico nesta narrativa; é um sinal sobrenatural. O circuito móvel de identidades facilitado pelo fluxo de sangue nos permite ler Muldumarec como mágico e divino. Embora ele seja uma "fada", ele também é um salvador semelhante a Cristo, que morre por sua amante mortal. Essas posições de identidade não precisam ser lidas como contraditórias. O poema de Marie apresenta ao seu público um mundo no qual a mudança de forma não é apenas possível, mas uma parte intrínseca da devoção sexual e espiritual.


Assista o vídeo: Marie de France Lecture (Janeiro 2022).